A aula havia começado e Rea evitava olhar para Mio, não a
queria pôr desconfortável e fazer com que ela fugisse logo após a
aula, ainda tinham que esperar por Sousuke, mas Rea já estava a pensar em algo
para dizer para a manter na sala por um bocado para se seguir com o plano.
A aula estava quase a terminar, o professor passava agora os
trabalhos como era habitual e os alunos já estavam ansiosos pelo toque
arrumando as suas coisas devagarinho.
Ao mesmo tempo que a campainha tocava, Sousuke já
estava a abrir a porta, com ar cansado,
parecia que tinha corrido uma maratona. Todos estavam levantados, não dariam
tanta importância se fosse outro aluno qualquer, mas era Sousuke, o aluno que
da ultima que fizera a mesma coisa que fez agora, causou todos os rumores sobre
Rea e incontáveis risos. Os alunos ficaram expectantes na esperança de ouvir
algo como da ultima vez, mas Sousuke apenas ficou na porta a recompor-se. O
professor nem ligou, já conhecia a peça. Ao ver que ele não ia fazer nada, os
alunos retomaram ao que estavam a fazer e saíram a dar sorrisinhos e falar
baixo entre eles, mas Sousuke nem ligou, ele estava focado na sua missão.
Rea ficou aliviada por não ter que inventar algo para Mio
ficar ali a fazer tempo até que Sousuke chegasse, apressou-se e arrumou as suas
coisas já de pé e foi imediatamente em direcção a Sousuke. Mio não parecia ter
pressa, ela não olhava para eles, estava, ao que parecia, muito concentrada a
arrumar lentamente os seus livros e cadernos.
- Mio! – Chamou Sousuke quando a turma toda havia saído excepto por eles.
- Ahh, humm. Sim? – Dizia ela assustada e a ficar vermelha.
- Vamos te exorcizar, vem connosco agora! – Dizia ele com
tom sério.
Mio ficou surpreendida, não estava à espera daquelas
palavras, mas além de surpresa, ficou assustada e sem saber o que fazer, não
sabia para onde se meter nem para onde olhar.
- Ahah, anda dai, trouxe pãezinhos! São muito bons, leva
qualquer um ao céu, vem connosco para o terraço e tomar um segundo
pequeno-almoço (café da manhã). Vai ser divertido. – Dizia ele a sorrir.
- Mas, ahmm, eu tinha algo para fazer agora. – Dizia ela
relutante e a tentar arranjar desculpas.
- Este intervalo é pequenino, no próximo podes fazer o que
quiseres, mas neste momento, estou a ameaçar-te e fazer um ultimato! – Dizia ele
a ficar serio. – Ou vens com a gente, ou não trago mais pãezinhos para ti!
Vais-te arrepender para o resto da vida. – Dizia ele acabando por rir.
Mio ficou com um pouco mais à vontade, e acabou por aceitar
o convite, ainda que se lembra-se do evento de ontem, foi a tentar não pensar
nisso e na vergonha que sentiu naquele momento.
Os 3 estavam agora a ir para o terraço, estava um clima
estranho, Sousuke era o único que falava com as suas habituais piadas e boa
disposição.
- Uhuh chegamoss! Liberdade! – Dizia ele todo alegre ao
abrir a porta do terraço.
- Já agora Sousuke, saíste de novo mais cedo da aula não
foi? – Perguntava Rea preocupada ao lembrar que ele chegava lá mesmo quando ao
toque de saída.
- Ah, o meu professor entendeu que eu tenho certas
necessidades, ele acredita que tenho problemas mentais e que eu preciso de uma
certa liberdade e espaço nas minhas acções, desde que sejam num bom horário. –
Explicava ele a dar uma gargalhada.
Mio deu um riso baixinho pondo a mão na boca para disfarçar.
- Mio, não gozes (zoes) com o meu atraso, o meu professor
até proibiu ao resto da turma se rirem sobre isso. – Dizia ele com ar serio. –
Por isso hoje em dia sou livre como um passarinho e não tenho ninguém a
chatear-me porque pensam que ser retardado é perigoso. – Dizia ele a ficar
deslumbrado com a sua própria história e a rir no final.
- Ahh, quase me esquecia! Aqui estão os pãezinhos do céu,
cuidado com as penas das asas. – Dizia ele a rir entregando um pão de formato
estranho às duas.
- É assim tão bom? – Perguntava Rea com uma cara de dúvida.
Percebeu que Mio partilhava da mesma pergunta e com a mesma expressão no seu
rosto.
- Ahahah, Querida Rea, deixa-me contar-te uma história. À muito
muito tempo atrás... – Sousuke antes que pudesse continuar...
- Tão bommm! – Dizia Mio que não se estava a interessar minimamente
na história de Sousuke, ela parecia ter adorado o sabor, estava com um sorriso
de satisfação no rosto.
Rea vê a sua reacção e prova também
- Uauu! Isto é incrível. – Dizia Rea imensamente surpresa.
- O truque para vos fazer comer, é começar uma história que
nem eu sabia qual era, ahahahah – Disse Sousuke a dar uma gargalhada.
Rea e Mio devoraram o pão, ficaram com cara de quem queria
mais, mas abstiveram-se de fazer outros comentários.
Sousuke olhava agora para as duas e parte o seu ao meio.
- Tomem, não precisam lutar, são tamanhos iguais. – Dizia ele
a rir estendendo as duas metades a cada uma delas.
- Não, esse é o teu, obrigada. – Recusou Rea a agradecer,
apesar de ter vontade de pegar nele, a parte não lhe pertencia e apercebeu-se
que Mio concordava.
- Não precisam se conter, eu sei que são muito bons, eu
como-os todos os dias, não se preocupem que eu hoje já comi uns 10, ahahah –
Dizia Sousuke a rir.
Rea e Mio ficaram em dúvida com aquelas palavras e
lentamente foram para pegar o pão, era realmente bom, nunca haviam provado algo
assim, era diferente, mas estava perfeito apesar da sua aparência.
Rea e Mio terminaram de comer e sentaram-se, estava quase a
dar o toque de entrada com tudo aquilo. Estavam contentes por aquele bocadinho,
foi diferente do que ambas estavam à espera.
Sousuke com um ar feliz senta-se em frente a elas a olhar
para as duas que estavam lado a lado e sorrir e a falar entre elas.
O tempo passou rápido e a campainha voltava agora a tocar.
- Bom, vamos lá, vou-vos acompanhar à sala. Próximo
intervalo estás igualmente convidada Mio, é bom ter-te cá. – Dizia ele a
sorrir.
- Obrigada por este bocadinho. – Dizia ela meia envergonhada
e feliz.
- O Sousuke já disse tudo, és mais do que bem-vinda. – Dizia
Rea a sorrir.
Ninguém havia falado sobre o caso de ontem, mas todos
entenderam que ficou resolvido sem sequer falar no assunto, Rea e Mio sabiam
disso e estavam agradecidas a Sousuke pela forma como ele lidou com a situação,
apenas não sabiam se foi intencional, ou simplesmente ele decidiu que queria
comer pães com elas, a mente dele era demasiado imprevisível, mas fazia com que
todos os dias fossem divertidos.
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