Capítulo I- A filha de Nathaniel
William era um homem branco, de um metro e oitenta e três de altura,
tinha a barba mal feita por sempre ter pressa e por nunca ficar muito
tempo em um lugar, tinha trinta e seis anos e era forte como ninguém,
seus “colegas de trabalho” diziam que era provavelmente o exorcista com a
maior força física entre eles, exceto talvez por seu fígado, na noite
de 11 de setembro de 1995, William exterminou dois demônios Negros que
haviam consumido as almas de um casal no interior do país, ele se sentou
no banco da frente do carro, acendeu um cigarro e pegou uma cerveja que
se encontrava no banco do passageiro. Will pensava que aquela noite não
poderia ficar pior, os corpos haviam sido devorados pelos demônios, e
um deles fora muito resistente aquela noite. Will não tinha ideia, de
como aquilo tudo ainda iria piorar.
Sara era uma garota que se
poderia considerar normal, tinha olhos verdes claros, e um cabelo preto
como a noite, tinha quinze anos apenas, mas já saia com as amigas pra
beber, era mais forte do que ela, como se houvesse uma voz que a
comandasse, aquela voz que dizia sempre ”a escola não é tão importante”,
essa maldita voz, a voz que mudaria sua vida.
Sara nunca se
achou muito bonita, apesar de todos os garotos na escola admirarem seus
grandes olhos claros, ela era uma garota de estatura média, que nunca
teve notas muito altas.
A voz que a controlava parecia crescer
nos últimos tempos, começou a matar aula, fumava maconha por becos com
as amigas, respondia a Suzana, sua mãe, e tinha um grande complexo de
abandono, seu pai morrera enquanto Suzana a carregava na barriga.
No dia 11 de Setembro de 1995 William recebeu um telefonema de Suzana.
“O que é que quer ela? Não fala comigo desde que Nathaniel...”.
–Will, não posso pedir isso pra mais ninguém, é a Sara, acho que tem um vermelho com ela...
–Estou indo, onde ela está?
–No quarto...
–Acenda um verde, chego aí em dois dias.
Will entrou no carro, acendeu um cigarro, ajeitou o Magnum .50 no coldre e acelerou o máximo que pôde.
“Sara,
como foi que um vermelho pegou ela? Como foi que Suzana deixou isso
acontecer? Não importa, vou salva-la, mas Nathaniel não queria esse
destino para ela...”.
Parou o carro em um posto, comprou um
salgadinho, tinha que ser o mais rápido possível, a Igreja não podia
saber daquilo ainda, a filha da Lenda, uma exorcista, era tudo o que não
podia acontecer.
Voltou a acelerar o máximo que podia, tinha
eliminado dois Negros naquela noite, a recompensa por eles seria o
suficiente para as multas, lembrou-se de carregar o Magnum com as balas
da Ruiva, estava esgotado e quase sem aura nenhuma, porém só um
pensamento passava por sua cabeça, ”Sara, a garotinha de Nathaniel está
em perigo, merda! Vou ter que ver Suzana, ver Sara e aqueles olhos
verdes, malditos olhos verdes que me assombram.”.
Chegou a casa
na noite do ia 12 de setembro, um dia antes do que tinha prometido, a
casa estava silenciosa, mas sentia presença daquele demônio, não era um
Vermelho, era um Negro, mais um em quatro dias, tinha algo errado, ele
podia sentir.
Abriu a porta sem se preocupar com Suzana que se
encontrava na sala ajoelhada logo abaixo de uma cruz pregada na parede
da sala, ”A mulher de Nathaniel, rezando?”
–Olá Suzana, pensei que soubesse que isso não vai te ajudar.
–Finalmente Will, ela está no quarto e... Acho que, ouvi ele rir quando acendi o verde.
– É um Negro, é claro que riu, todos esses malditos se acham demais
–Um Negro? -Parecia que ia ter um ataque - mas por que tem um Negro atrás da minha filha?
–Ele
não está atrás da sua filha Suzana, ele quer a Filha de Nathaniel, e
isso já está demorando demais, só me diga uma coisa, como está a
máscara?
–Chegou à metade... Já cobre o olho direito.
–Sai
daqui Suzana. - Ele tirou um cigarro preto da cigarreira de prata,
acendeu e entrou no quarto, a mão direita no Magnum. 50, ele soprou a
fumaça, não era um cigarro comum, a fumaça cobriu as paredes e Sara se
levantou na cama de um salto, a máscara já alcançava o início do olho
esquerdo.
–Ora garoto, pensei que fosse mais esperto do que isso,
se prender em uma sala com um Negro como eu? Acho que até o terceiro
Arcanjo tem sua cota de estupidez não?- Agora era o demônio falando,
William sabia que eram todos convencidos, sabia também que era a última
vez que aquele se gabaria e ele mesmo se certificaria disso.
Puxou
o Magnum, mas o Demônio foi mais rápido, desceu da cama com uma
velocidade incrível, acertou Will nas costelas do lado esquerdo,
provavelmente quatro delas fraturadas, Will caiu no chão, tonto com a
dor, mas era Sara, precisava salva-la.
Levantou-se com todas as
suas forças, foi necessário uma dose de loucura, agarrou a máscara com o
braço esquerdo no qual tinha um pentagrama marcado a fogo, puxou a
máscara, parte do demônio veio junto com ela, já estava se tornando
corpóreo, puxou o Magnum .50 mais uma vez e colocou bem no meio da
máscara, atirou e viu a máscara se espatifar.
Sentou-se ao pé da
cama, o corpo da menina estava parado do outro lado do quarto, ele sabia
que não tinha acabado a fumaça ainda estava lá, pensou em desistir, mas
se lembrou de Nathaniel, da promessa, se levantou, preparou o Magnum no
braço direito e com o esquerdo pegou um frasco da sua água benta.
A máscara já estava quase completamente regenerada quando o corpo de Sara começou a se levantar, ela se ergueu no ar, a fumaça começava a desaparecer, a dor nas costelas mal o deixava se mover, a aura demoníaca tomou o quarto, ele fechou os olhos por um segundo, e no outro, a máscara tinha tomado completamente o rosto dela.
Ele mal podia
acreditar, naquela velocidade, nunca tinha visto uma possessão completa
tão rapidamente, “Ela se foi, a filha de Nathaniel se foi”.
Não havia tempo para pensar nisso, o demônio começava a tomar forma, agora que a máscara se separava do corpo, ele se adiantou, embebeu a mão esquerda em água benta, correu até o peito do demônio que agora começava a se formar, localizou o ponto onde o coração surgiria, atravessou o peito com a mão cheia de água benta, ela queimava a parte materializada do demônio enquanto abria caminho entre a carne maldita, agarrou o coração podre do demônio, provavelmente meio metro de corrente veio junto com o coração dele, William estava prestes a quebrar a corrente, dar um fim naquilo de vez, ele queria ver aquela máscara fria e suja gritar de dor, mas o que viu na verdade foi muito mais perturbador, a máscara do demônio tinha tomado a forma de Nathaniel.
Aterrorizado Will puxou o Magnum e atirou na corrente, o demônio queimou em chamas azuis, mas não havia expressão de dor em seu olhar, apenas de contentamento.
Antes das chamas tomarem completamente o seu corpo, o demônio se curvou para Will e sussurrou em seu ouvido
–Cuide bem da filha de Eva, ela ainda tem muito que viver meu caro.
Will
se levantou agora sem fazer tanto esforço, Sara estava perto dele, ele
checou seu pulso, não sabia se ficava aliviado por Sara estar viva ou
preocupado por ter sido a única que sobreviveu a uma possessão corpórea.
Sua cabeça estava girando, mil perguntas ao mesmo tempo, ”Como foi que o
demônio tomou a forma de Nathaniel? Como Sara sobreviveu? Filha de Eva?
Quem era aquela garota afinal? Quem era aquele Negro?”
Suzana entrou no quarto e viu sua filha deitada no chão, correu até ela chorando, mas se acalmou ao ver que Sara estava viva.
Suzana colocou-a em cima da cama novamente, e se virou para William:
–Will, eu... Não sei como agradecer.
–Não
me agradeça ainda, você sabe o destino da sua filha de agora em diante,
e também...Ela não deveria estar viva Suzana, foi uma possessão
completa.
–Mas ela está viva, e você vai treiná-la não vai? Por Nathaniel, por mim Will, por ela.
–Não
me entenda mal, é claro que a garota vai ter que vir comigo, mas eu
preciso ver a Ruiva, e Sara vai ter que vir comigo, se quiser
sobreviver, você ainda tem os Colts dele?
–Estão guardados no meu quarto, em baixo da cama. Will, o que foi que aconteceu?
–Mais do que eu posso explicar. Pegue os Colts, eu parto com a garota amanhã.
Suzana saiu do quarto e William adormeceu ali mesmo, as costelas estariam melhores amanhã e Sara, bem Sara teria que aceitar.
–Mãããããããe-Foi
esse o grito que acordou Will, ele abriu os olhos para ver uma menina
de 15 anos aparentemente aterrorizada com o homem que se encontrava aos
seus pés.
–Cala a boca pirralha, me quebrou quatro costelas ontem e ainda quer me dar uma dor de cabeça?
Ela
parecia incrédula, perdeu as forças nas pernas e caiu, arregalou os
olhos para Will e perguntou – Então não foi um sonho? As vozes, aquela
máscara que me cegava e sufocava, era tudo real ?- Antes que Will
pudesse responder Suzana entrou no quarto, em uma das mãos tinha uma
mala, e na outra a antiga maleta de Nathaniel, provavelmente com as
Colts dentro.
–Quieta Sara, esse homem é Will, seu salvador e a partir de hoje, seu tutor e mestre.
–Mas...
–Sem “mas” Sara, Will vai te proteger, assim como seu pai protegeu a ele.
–Como meu pai ?
–Você
não contou pra ela Suzana? Garota, temos muito o que conversar, mas
agora faça duas coisas, pega uma cerveja pra mim, e vá tomar um banho,
preciso conversar com a sua mãe.
– E por que é que eu deve...-Um
tapa a acertou no meio do rosto, veio de Suzana, a garota a olhou com
espanto, nunca tinha apanhado da mãe. -Se William te disser para fazer
algo você faz, sem mas , entendeu ?
–Sim mãe.- ela saiu
cabisbaixa, ainda assustada com o tapa que levara, quem era aquela ?
Aquela era sua mãe? Não , não era possível, mas pensando bem nada
daquilo que acontecera era possível. Pegou a cerveja no fundo da
geladeira, voltou rapidamente ao quarto, os dois ainda estavam calados,
entregou a cerveja a Will e saiu para seu banho.
Suzana encarava Will enquanto ele dava uns goles na cerveja, ela o ajudou a levantar, o colocou na cama de Sara.
–Will,
o que vai acontecer com Sara? Você não quer me dizer o que aconteceu
ontem, pediu as Colts do Nathaniel, e já quer levar minha filha embora?
–A verdade, é que não sei de tudo o que aconteceu ontem, ela deveria estar morta Suzy, morta, aquele não era um demônio comum.
Não
importa o que tivesse acontecido, nada poderia mudar Will tanto assim,
já se passara 16 anos desde que ele a tinha chamado de Suzy.
–Claro que não era um demônio comum, era um Negro.
–Suzy,
ele tomou a forma do Nathaniel, e enquanto queimava, sorriu pra mim,
aquele não era um demônio comum. -Agora ele tinha uma expressão de ódio
no rosto, olhava fixamente para o chão enquanto apertava o Magnum no
coldre. -Eu preciso ver a Ruiva.
Suzana se levantou, levou as
roupas para Sara no banheiro e a mandou se apressar. Voltou ao quarto
onde Will agora esperava por Sara, ele já tinha as Colts preparadas no
coldre.
Quando Sara chegou ao quarto e viu as armas não se
assustou, nada mais poderia assusta-la, Will a mandou virar de costas,
ele cambaleou até ela e prendeu o coldre na cintura da garota, por algum
motivo ela se sentiu bem com as armas na cintura, se sentia diferente,
quente e protegida.
Will foi andando para o carro, naquele estado
era tempo suficiente para que as duas pudessem se despedir, ao menos,
mais tempo do que ele teve.
Dentro da casa Suzana era uma pessoa
completamente diferente, ajeitou o coldre da garota mais uma vez,
certificou-se de que as armas estavam carregadas, deu um beijo na testa
de Sara e só lhe deu um conselho- Obedeça a Will se quiser ficar viva,
seu pai o treinou, ele é um bom exorcista. - Sara não soube o que
responder, conteve as lágrimas, beijou sua mãe no rosto e a abraçou o
mais forte que pôde, pegou a mala e saiu correndo, Suzana ficou ali, não
podia ver sua filha ir embora.
Sara entrou no carro, bateu a porta, não ousou olhar para Will, aquele cara lhe dava arrepios. –Coloca o cinto pirralha.
–Para onde nós vamos?
–Te ensinar a atirar, e depois, precisamos ver uma pessoa.
Sara
percebeu que Will não era de falar muito, não que ela quisesse falar
com ele, ainda se lembrava de tudo o que aconteceu n noite anterior, se
lembrava de alguém controlando o seu corpo, da imagem de um homem
dizendo para não ter medo, pensando bem o homem de preto disse “Não
tenha medo, Will está aqui.”, quem era aquele homem? Quem era Will? Tudo
aquilo parecia surreal demais, como se fosse um sonho.
5 meses depois, 13 de Fevereiro de 1996
Will parou o carro em uma beira de estrada, ele a mandou descer do carro, ela já sabia o porque, hora do treinamento.
Wil
foi até o porta-malas, enquanto ele pegava o fardo de cervejas Sara
carregava a bolsa das armas e das munições, Will a chamou, os dois
caminharam em direção ao bosque que se via um pouco ao longe.
Sara
seguiu Will até acharem uma clareira, ele tirou uma das latinhas do
fardo e bebeu, colocou a lata vazia em um tronco caído no fim da
clareira, ele voltou, sentou-se ao seu lado no chão e mandou a garota
atirar.
Já não era tão estranho pegar nas armas, principalmente
depois que descobriu sobre a Aura e como usá-la, apesar de antes de tudo
começar ela ter medo de armas, aqueles dois revólveres em sua cintura
eram diferentes, eles eram “quentes”, Sara puxou um deles conseguia
sentir sua energia aumentando, como uma euforia, como se o tempo parasse
ali, parecia que a lata estava bem a sua frente, ela puxou o gatilho
como se fosse a coisa mais natural do mundo, o revólver explodiu em sua
mão, e de repente toda aquela sensação sumiu, a bala bateu cerca de
quinze centímetros da lata, Sara se sentiu cansada, agora se sentia
fria, sentia o metal frio da arma em suas mãos, a lata continuava
intacta sobre o tronco que agora se encontrava muito longe dez, talvez a
quinze metros de distância, ela se sentiu tonta e cambaleou.
–É
boa a sensação, não?- Era a primeira vez que Will falava com ela, sem se
referir a ela como pirralha, e sem ser o Will sombrio que ela conhecia
até agora.
–Sim, mas me sinto cansada, me sinto sem energias, é estranho.
–Acho
que já lhe expliquei sobre as Auras garota, controle a quantidade e
tente não desmaiar, a aura é sua energia vital, sua manifestação da alma
dobre o mundo material, se usar demais esse poder sem poder aguentar as
consequências, vai acabar morrendo.
–Eu sei Will.
–Garota, você não sentiu nada do poder da aura, podemos dizer que usar esse poder significa usar sua alma como arma.
Will
puxou o seu Magnum do coldre e mirou em uma árvore, Sara podia sentir a
energia que se acumulava na mão de Will, ele disparou, a bala
atravessou a árvore, e mais duas atrás daquela mesma. Por um momento
aquilo fez com que Sara esquecesse tudo, as perguntas sobre seu pai,
sobre Will, e principalmente, sobre ela.
–Você tem talento
garota, lembre-se da euforia, concentre-se apenas na arma e no alvo,
respire, e quando sentir o calor da arma dispare.
Ela puxou o
Colt novamente, dessa vez fixou o olhar na lata, aos poucos a distância
parecia diminuir, ela sentiu a mão esquentar e puxou o gatilho, a bala
explodiu bem no meio da lata, Sara ficou ali parada por um segundo, com
um meio sorriso no rosto, até cair sem forças no chão.
–Garota, você tem a mira do seu pai.
Continuaram
naquilo durante toda à tarde, quando o sol finalmente se pôs, Will
recolheu a sacola de munição, e ela o ajudou a carregar.
Foram de
carro até um hotel próximo dali, apenas umas duas horas de viagem, onde
passariam a próxima semana, até que Will se recuperasse e a garota
soubesse atirar.
Ela era um talento nato, no terceiro dia já
conseguia atirar em moedas a trinta metros de distância, mas ela teria a
força de seu pai?
Foi no quinto dia que ele resolveu tentar algo
diferente, colocou seis latas espalhadas na clareira. - Dessa vez quero
que relaxe, deixe fluir, localize os alvos, mas dessa vez use os dois
Colts, deixe que o tiro saia do seu subconsciente, concentre toda a Aura
que tiver nas armas, e deixe fluir.
Sara não entendeu muito bem,
sabia que se concentrasse toda sua Aura ela desmaiaria de novo, mas era
Will, como sua mãe disse, tinha que fazer o que ele mandasse.
Ficou
ali, parada, provavelmente durante meia hora, Will teve paciência, a
garota estava em um estado de concentração extremo, a cabeça baixa, os
Colts pareceriam pesos para os braços da menina se um humano normal a
visse naquele estado, mas Will podia sentir, era pouco, mas Sara
concentrava toda sua Aura naquelas armas
Ela finalmente se moveu,
e era rápida como o pai, mirou com a mão esquerda na lata que estava
mais longe, um tiro perfeito, se abaixou e com o Colt direito acertou
uma lata que estava em baixo de um tronco, mais um tiro perfeito, agora
com os dois braços levantados acertou as latas que estavam penduradas
dez metros no ar, mais dois tiros perfeitos, ela usou a aura que lhe
restava na mão direita para atravessar uma árvore a sua frente e pegar a
penúltima lata, faltava uma, mas não sabia onde estava, relaxou,
apontou seu Colt para Will e acertou a última lata que repousava em cima
de sua cabeça. Não demorou muito a garota desmaiou, não restavam
dúvidas, aquela era mesmo, a filha de Nathaniel.
Nos dias que se
seguiram Will forçava a garota a repetir o treinamento, para que
resistisse cada vez mais e não desmaiasse a cada luta com um demônio,
está certo que aquelas eram apenas latas de cerveja vazias, mas a cada
dia parados naquele hotel de beira de estrada Will sabia, o perigo se
aproximava cada vez mais.
Foi por esse motivo que Will decidiu apressar o treinamento de Sara, ela já tinha o talento, faltava à experiência.
Dia 21 de Fevereiro de 1996
Will
se sentou em sua cama, com a mala das armas ao seu lado, Sara estava na
cama ao lado, desmaiada novamente com aquele ar de quem dorme sem
sonhar, ele abriu a mala, afastou os vidros de água benta, e pegou um
grande pote de vidro que estava bem no fundo da mala, continha um
líquido preto e pegajoso, ele posicionou o vidro cuidadosamente no chão
no meio do quarto.
Sara despertou, Will apontou a comida em cima
da mesa, Sara entendeu e sentou-se para comer, enquanto olhava Will com
curiosidade.
–Coma, hoje é um dia especial- Ele tirou um cigarro
preto da cigarreira de prata, quando foi guarda-la, Sara viu um N
gravado a mão na parte de trás.
–Um dia especial?
–Hoje você vai matar o seu primeiro demônio.
Sara arregalou os olhos, olhou para Will como quem não acreditava. Continuou ali estática.
–Come logo, não temos o dia todo.
–Will, como vamos achar um demônio?
–Aquilo
no chão, é sangue de demônio, quando eu o alimentar com a minha Aura,
um demônio corpóreo vai aparecer, agora coma pirralha.
Sara
terminou o café e se sentou na cama, esperando por Will dar ordens, mas
ele simplesmente acendeu o cigarro, e assoprou a fumaça, que
surpreendentemente cobriu todas as paredes do quarto, Sara começou a se
lembrar da noite em que viu Will pela primeira vez, pensou que o demônio
apareceria logo ali, com o reflexo que adquirira nos últimos dias,
puxou ambos os Colts e ficou em alerta.
–Abaixa essa arma
pirralha. –Ele agora se encaminhava para perto do pote. –O que eu vou
fazer aqui é reviver um demônio, não é um demônio forte, a fumaça desse
cigarro impede que o demônio consiga sair, mas concentre-se o máximo que
conseguir.
–Will, se eu fizer isso, me conta sobre meu pai?
–Conto,
um pouco, mas agora se concentra, existem quatro tipos de demônios, os
amarelos, verdes, vermelhos e finalmente os negros, essa é a ordem de
força de cada um, o que eu vou reviver é um amarelo. Acalme-se,
concentre a Aura na arma, e acerte bem no meio da máscara, você ainda
lembra o que é a máscara?
–Ok, me acalmar, a máscara é o que
sobra de humano na pessoa após ser possuída e, se a máscara se completar
durante a possessão, o demônio tomará forma e escapará para a nossa
realidade.
–Muito bem, e lembre-se, acalmar, apontar e atirar.
Will
meteu a mão na gosma preta , foram dois segundos até que ela começasse a
se expandir , mais dois segundos e quebrou o vidro, agora começava a se
erguer, tomava uma coloração amarela onde deveria ser o corpo, e uma
máscara branca tomou o lugar de sua face.
Sara puxou os dois
Colts e ergueu-os ao ar, mirando bem no centro da máscara, mas não
sentiu o calor nas mãos, sentiu medo, como se aquela criatura na sua
frente fosse arrancar seu coração fora, e foi também quando ouviu a voz
de Will – Oque está fazendo pirralha? É só um demônio fraco,
concentre-se!
As palavras de Will foram como uma injeção de razão
nas veias de Sara, ela podia sentir, aquele não era um demônio forte,
sua Aura era muito menor do que aquele vulto negro que a tinha possuído.
Ela
ergueu o Colt esquerdo concentrando um pouco de sua Aura na arma e
atirou, não seria tão fácil assim, a bala se alojou na máscara, causou
uma pequena rachadura, e foi então que ela entendeu, Will explicou as
formas de se matar um demônio:
1-Usar a sua Aura para feri-lo e
romper a máscara, se a sua aura não for forte o suficiente, ele
simplesmente sentirá o dano e se regenerará .
2-Arrancar o
coração do demônio e quebrar a corrente que prende seu coração, a
corrente é o símbolo da maldade que aprisiona aquele espírito maléfico a
este mundo.
3-Usar o sangue de demônio em uma arma revestida com
sua aura, o que cria uma Aura artificial, que pode ferir o demônio,
apesar de ser menos eficaz.
Sara guardou o Colt esquerdo,
concentrou-se o máximo que pode no direito e sentiu que seria o
suficiente, mas o demônio a atacou, ele era lento comparado a ela, ela
se esquivou e, calmamente mirou no centro da máscara, foi uma explosão
única, o buraco que o Colt fez irrompeu em chamas azuis, que vieram a
consumir o demônio.
De trás daquelas chamas revelou-se um William
sorridente e orgulhoso, ele se sentou na cama, olhou para ela e disse-
Venha garota, vou lhe contar sobre seu pai.
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